Como conciliar desenvolvimento e preservação ambiental?

O maior avanço a ser reconhecido atualmente é o engajamento do setor da construção civil, antes inerte, e que agora é capaz de gerar transformações sem precedentes na luta pela sustentabilidade do planeta.” Essa declaração do ex-secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo e fundador da organização governamental SOS Mata Atlântica, Fábio Feldman, foi feita em 2007, quando o setor começava a dar sinais de que realmente havia incorporado o compromisso com as questões ambientais. De lá para cá, o tema passou a ser discutido cada vez mais, tornando-se um desafio para todos os profissionais que atuam no segmento. Modismo? Não, consciência, que nesse caso pode significar também sobrevivência.

Segundo o relatório Buildings and the Climate Change 2007, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente– Pnuma, a construção civil é responsável por 30% a 40% do uso global de energia. Consequentemente, figura entre os principais emissores de gás carbônico do planeta. O problema ganha proporções ainda maiores ao considerarmos que 75% dos recursos naturais extraídos do solo acabam em canteiros de obras. Por isso não há como desprezar um tema tão importante como esse, uma vez que tanto a cadeia produtiva de materiais quanto a execução das obras causam grande impacto ambiental.

As indústrias que atuam no segmento, especialmente aquelas ligadas à produção do alumínio, estão atentas ao fato e adotando medidas que visam a garantir a sustentabilidade dos negócios. Dados da Associação Brasileira do Alumínio (Abal) apontam que, no Brasil, as companhias não se limitam a cumprir a legislação e as normas em vigor. Mais do que isso, se antecipam às necessidades econômicas, ambientais e sociais, executando, por exemplo, o plantio de espécies nativas usadas para recompor a vegetação original das áreas mineradas, restaurando o bioma. A própria ABAL vem incentivando suas associadas a integrar o “Alumínio para Futuras Gerações”, programa de melhoria contínua da indústria mundial, controlado pelo International Aluminium Institute (IAI), contendo 13 princípios para as principais fases do ciclo de vida do material, entre eles a redução da emissão de poluentes e do consumo energético.

O alumínio é o terceiro elemento mais abundante na crosta terrestre e o Brasil detém a terceira maior reserva de bauxita do mundo, ficando atrás apenas da Guiné e da Austrália. Os estados de Minas Gerais e Pará concentram as principais áreas de extração. Sua obtenção é feita com a transformação do minério em alumina e, posteriormente, em alumínio, englobando um processo que exige máxima atenção por parte das indústrias que atuam no setor.

Nesse contexto, a reciclagem de resíduos industriais ou de produtos com vida útil esgotada é uma alternativa que ganha cada vez mais adeptos. Trata-se de um processo extremamente vantajoso em razão das propriedades do alumínio, que permitem reutilização contínua sem perder as principais características, como a leveza, a excelente condução termoelétrica, resistência à corrosão, entre outras. Há outro aspecto que precisa ser considerado em função do impacto positivo que provoca: a reciclagem contribui ainda para a inclusão social, já que muitos trabalhadores obtêm seu sustento recolhendo esse tipo de material. No Brasil, há nada menos do que 2.100 empresas e quase 4.000 trabalhadores diretamente ligados a esses processos.

Resultado: o País detém um dos mais eficientes ciclos de reciclagem de alumínio do mundo, com uma relação entre sucata recuperada e consumo doméstico de 37,8%, quando a média mundial é de 29,3%.

Embora ainda não exista um procedimento específico no que diz respeito à reciclagem de esquadrias, a utilização do alumínio na construção civil é sempre estimulada quando se fala na relação entre matéria-prima e meio ambiente.

Em função da excelente relação custo x benefício, trata-se de uma opção tanto para fachadas e caixilhos como também para compor elementos estruturais. Um bom exemplo no que se refere a essa última opção é o famoso estádio Ninho de Pássaro, inaugurado em 2008, em Pequim. Outra alternativa utilizada atende pela sigla de ACM – Aluminum Composite Material. Formados por duas chapas de alumínio, unidas por um núcleo de polietileno, os chamados painéis compostos podem ser pintados ou anodizados, e têm sido amplamente utilizados na construção civil brasileira, inclusive em fachadas contínuas, em associação com o vidro. São produtos fornecidos em dimensões variadas e que apresentam grande resistência ao fogo e facilidade de usinagem, além da possibilidade de instalação pelo lado interno da edificação, dispensando o uso de balancins ou andaimes, tornando a obra mais segura.

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