Inédita no Brasil, pesquisa da Unicamp mostra a possibilidade da criação de espumas e esponjas feitas de alumínio

Quando o assunto é espuma ou esponja, vem à mente maciez, maleabilidade e grande capacidade de retenção de líquidos, por causa da quantidade de poros em toda a extensão. A proposta da pesquisa desenvolvida na Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é manter as mesmas características em uma versão inédita. Encabeçada pela professora titular Maria Helena Robert, o trabalho mostra que é possível produzir materiais tão diferentes e inovadores com o uso do metal. “Alumínio é alumínio, só que esses (espuma e esponja) têm ar dentro e, por isso, são muito mais leves e com inúmeras possibilidades de aplicação”, revela a pesquisadora.

As espumas e esponjas de alumínio são materiais celulares – possuem até 30% do peso e densidade do material maciço e, por isso, são leves -, têm processos de fabricação e aplicação distintos, são duráveis e até competem com o material maciço em aplicações que utilizam o metal. Pode-se dizer que a diferença entre a espuma e a esponja são os poros (buracos) de cada uma. A primeira tem os poros fechados e a segunda, poros interconectados – vazios – ligados entre si.

Diversas aplicações
Esses novos materiais são excelentes isolantes térmicos, acústico e de vibração, além de possuírem uma capacidade elevada de absorção de impacto/energia. “Eles são como colchões de ar, muito leves e resistentes. Por isso absorvem muito o impacto, quando são utilizados para tal finalidade”, compara a professora Maria Helena.

“Existem diversos tipos de aplicabilidade das esponjas e espumas de alumínio e estes materiais têm um potencial muito grande. Qualquer peça maciça do metal pode ser substituída pelas espumas ou esponjas. A única ressalva é que esses materiais não têm resistência a tração. Se houver qualquer solicitação nessa área, não poderão atender. Em compensação, eles são interessantes para qualquer componente que sofre compressão”, comenta Maria Helena. Um bom exemplo do uso dos materiais celulares é na indústria automotiva, em geral. Eles podem ser utilizados na absorção de impacto, nos pilares de formação dos veículos, nos componentes dos motores, em peças e engrenagens, e até em baterias, por permitir a passagem e troca de fluidos (somente no caso das esponjas). No setor aeronáutico, as esponjas e espumas de alumínio são interessantes para chapas estruturais, e na construção civil podem ser muito bem utilizadas para revestir bases de viadutos (isolante acústico e de vibração), em laterais das estradas (isolante acústico e de vibração), em paredes (isolamento acústico e térmico), em tampões de mesa e de outras inúmeras maneiras. Há também a possibilidade de uso dos materiais em coletes de segurança (coletes à prova de bala).

Em busca de parcerias
Mesmo com as inúmeras vantagens apresentadas para uso desses novos materiais, a comercialização do produto ainda é nula em território nacional. Nem mesmo pesquisas nessa área de atuação são realizadas no Brasil fora da Unicamp. “Quem quiser saber mais sobre a técnica no Brasil, precisa me procurar”, brinca a professora. “Aqui, dominamos a técnica de fabricação, mas precisaríamos de parceiros do setor industrial para produzir estes materiais celulares em escala piloto”, reforça a pesquisadora, que garante que se houvesse interesse da iniciativa privada o produto estaria disponível no mercado em dois anos.

“Dominamos a tecnologia de fabricação, mas agora precisamos passar para quem queira produzir em maior escala. Aqui na Unicamp,  não temos equipamentos em escala de produção para fazer isso, e também nem poderíamos atuar nesse sentido, já que somos uma universidade e nosso produto é o conhecimento”,  argumenta. Segundo ela, o que falta agora é dar o ‘salto do laboratório para um setor de desenvolvimento de uma empresa’,  que faça um protótipo dos novos materiais e, posteriormente, passe para a produção em escala. “Orientei inúmeras teses sobre espumas e esponjas de alumínio e muitos alunos já apresentaram seus trabalhos em congressos, mas ainda não fomos procurados por ninguém. Publicamos muitos artigos sobre o assunto no exterior também”, destaca Maria Helena.

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